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30 de junho de 2012

Meu Portugal

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 Provar de uma vez por todas que Portugal não é apenas o pequeno país á beira mar, feito apenas de espuma de sonhos.
 Portugal é uma força, é um sentimento, não somos apenas a palavra saudade mas sim, somos saudosos, somos a alma transfigurada em vida, em luta, mesmo quando perdida.
  Somos um povo que nunca diz não. Somos fado, paisagens, praias, muralhas. Valorosos guerreiros de lutas ganhas.
 Somos Portugal, somos orgulho, somos pátria.
Somos conquistadores, lutadores, inovadores.
Não somos o lixo que nos querem pintar. Somos Portugal. Somos esperança, tradição, premios, conquistas. Somos reconhecidos pelos nossos poetas, actores, cantores, artistas.
 Não somos o que nos querem avaliar, seremos sempre o utópico paraiso á beira mar.
 Somos nós, povo, marca já firmada. Uma canção por todo o mundo cantada.
 Somos desejo, fé, vitória. Nunca deixaremos apagar a nossa história.




28 de junho de 2012

Últimas lágrimas

E nas noites em que menos se espera a dor, eis se não quando ela nos atinge, como farpa cravada bem fundo. Uma lança que cada vez vão espetando mais e mais fundo, rodando e estilhaçando, tentando atingir mais e mais órgãos, provocando mais e mais danos. E nós, apanhados desprevenidos, tentando transmitir no nosso olhar coberto de lágrimas, a duvida do porquê, o medo, a dor, a surpresa. Não há palavras, não há acções, não há justificações que valham.
 Quando o olhar esta toldado pela raiva e angustia, nenhuma verdade é possível se não a de quem a pensa portar. E mesmo tentando respirar por entre soluços e procurar uma resposta, ela não chega. Apenas mais perguntas nos assolam, apenas mais acusações nos são feitas. Dói. Mas a lança está lá! Cravada e impelida cada vez mais fundo na nossa alma! Não há grito que nos valha. A saliva seca nos na boca a cada nova imputação, e só nos resta sangrar. Deixar misturar no chão que ainda nos suporta, as lagrimas e o sangue que uma simples seta, lançada por quem mais nos é importante, retirou do nosso ser…
Hoje choro as ultimas lágrimas e acaba!!...

26 de junho de 2012

Pintar em Palavras 2

“ Sabes, o vazio fica tão preenchido com a tua presença! Não imaginas como é não poder dormir com o som que o silêncio insiste em produzir…
Por vezes, deito-me na cama e penso como será o viver vazio de esperança e cheio de nada… e aí choro, com a dor que não sinto, mas que sei que vivo.
Sinto por vezes um arder imenso, que se apaga ao ser tocado pelas lágrimas que não choro por ser tão fraca.
Tenho pena de ser e viver, mas nada temo, pois sei que estás comigo, apesar de por vezes me esquecer. E aí todo o sonho cai no abismo e eu vou com ele em direcção ao pesadelo de viver sem vida, sonhar os pesadelos, chorar sem lágrimas…
No momento que soubemos que eu estaria praticamente condenada, eu senti a tua falta, do teu abraço… insisti com a mãe para não te dizer, sabia como irias ficar…
O médico disse que com o transplante há uma pequena hipótese de eu sobreviver…mas mesmo assim…
Não te poderia pedir jamais esse sacrifício, não seria justo para ti!
Mas não te ter é igualmente injusto.
Sonhei que tu vinhas para me ajudar, qual anjo salvador e mesmo depois do transplante eu não melhorava…e tu tinhas abdicado do teu futuro, de tudo pelo que lutaste tanto tempo e que tanto adoras…e o teu coração tinha-se ressentido…
Imaginei-te presa a essa dor, a essa falta. Senti-me vazia, senti-me egoísta, senti-me má!...
O tempo lá fora parou. Não se sente o vento nem o sol nem nada…lembro-me de um dia teres dito que sem a tua poesia te sentias morta, vazia, seca…
Sinto-me assim, num desses momentos, com as forças a abandonarem-me
É nessa altura que eu caio para não mais me erguer.
Levanto a cabeça e lá estas tu, pronta para me libertares das amarras que há muito me prenderam ao chão.
Mas nem tu tens força para me ajudar a agarrar à vida. Tenho medo…
Mesmo sabendo da tua recusa, do teu receio, da tua lacuna de força, da tua tentativa vã de te protegeres da dor, no fundo sei que estás presente, sei que o medo te domina mas o amor prevalece…
Não digo que te perdoo, pois nada há a perdoar, amo-te e amar-te-ei para sempre embora me apeteça gritar, pedir ajuda, ser egoísta…
Em pensamento eu grito, eu imploro”Por favor ajuda-me!” E tu lá estás. Apesar de tudo seguras-me na mão e dizes,”Não tenhas medo, eu fico contigo!”…”

"Carta"
 In: Pintar em Palavras

Sopro de Luz 3

"Pegou na mão do irmão e começaram a subida.
Iniciavam sempre acompanhando o leito seco do velho ribeiro, agora desviado pelos habitantes, de forma a servir de rega natural para os cultivos. Ao longo de toda a serra tinham sido edificados pequenos muros de pedra que delimitavam os terrenos de cada habitante. Atravessando os muros com cuidado, poupavam tempo na subida. Daniela ia apanhando pequenas flores amarelas e brancas para quando chegassem ao cimo, poderem fazer coroas de flores.
No cimo da serra, depois de atravessarem um caminho de cabras estreito e sinuoso, que desembocava num valeiro profundo, tinham uma pequena parede de calcário no cimo da qual se encontrava uma gruta. Quando era pequena, Eliana costumava ir com as amigas até a gruta… Cabiam apenas 4 crianças de cada vez e era ali o local de pernoite de animais, pelo que por todo o chão se viam ossadas de pequenos roedores e penas. Mas nem o cheiro a urina dos animais que por ali ficavam, era suficiente para desmotivar quem a visitava.
A vista era fantástica, de cortar a respiração, abria mesmo por entre os penedos, virada para Oeste, permitia ver o por do sol que banhava toda essa parte da serra, bem como a planície adjacente, num quente e aromatizado laranja e dourado. Era estonteante e mágico. Decidiram, portanto, guardar a subida á gruta para o final da visita.
Seguindo depois do caminho de cabras, tinham de ir amassando e pisoteando a vegetação. Eliana ia na frente a abrir caminho para os irmãos, segurando a mão de Leandro. Daniela ia em ultimo, agarrada ao cesto e desviando o irmão dos tojos.
Finalmente chegaram ao prado da tia. Um espaço aberto no centro da vegetação. Parecia um campo relvado. Pincelado aqui e ali, por pequenas flores brancas e azuis. No centro, a velha Oliveira fornecia a sombra necessária para o descanso, mesmo ao lado do pequeno lago, ladeado de rochas e juncos. Ouviam-se as rãs a coaxar e a saltar de quando a quando das rochas para a água. Eliana ajeitou a toalha com Daniela e deitou-se sob a sombra da velha árvore, observando Leandro a correr a volta do lago a tentar apanhar uma rã mais distraída.
A luz do sol passava por entre a folhagem, interrompida em sombras que bailavam no corpo e rosto de Eliana. Deitada de costas, deixava-se agora impregnar por esses raios de luz quente que rendilhavam a sua pele, em formas indefinidas e assimétricas. Tinha de semicerrar os olhos, mas a vontade de olhar, bem de frente, aquela fonte de energia e força era incontrolável. As formas bailavam sobre ela como pequenas fadas luminosas num qualquer bosque encantado e Eliana recebia essa luz como uma bateria que absorve a sua carga.
Rendida aos seus pensamentos, num mundo povoado apenas de alegria e seres sobrenaturais e míticos, mergulhada numa luz de intensa felicidade que agora a banhava, deixou-se viajar até alguns meses atras, onde o seu corpo era abraçado pelo mesmo calor de felicidade pura, mas nessa altura a fonte da calor era materializada num outro corpo que abraçava o seu e lhe queimava a pele com felicidade, caricias e desejo..."


                             In: Sopro de Luz

23 de junho de 2012

Sopro de Luz 2

"Eliana obedecia sem se aperceber realmente do que fazia ou de quem a acompanhava. Não sentia fome, sede ou qualquer outra necessidade.
Estava presa num túnel de cores difusas onde chegavam apenas alguns sons e imagens ligeiramente familiares.
Quando, nessa noite, Luís a levou a casa teve de subir as escadas com ela e ajuda-la a deitar-se. Eliana adormeceu de imediato. Mas os seus sonhos foram povoados de dor, lágrimas e escuridão. Num novelo sem fim que se ia desenrolando a medida que a noite avançava. Eliana via Bruno à espera no altar, a igreja toda decorada de flores lilás e orquídeas brancas. Ela ia subindo pelo altar ao som da música que eles mais gostavam de ouvir. Nesse momento um camião irrompia pela igreja e Bruno era atropelado. O seu vestido antes branco estava agora coberto de sangue.
Acordou de madrugada lavada em lágrimas e a tremer de frio. Levantou-se para fechar a janela. Pela janela via o parque do recreio das escolas. Os baloiços a baloiçarem ao vento, vazios, sós, empurrados por uma força a eles alheia… Também Eliana se sentia um baloiço, onde as crianças tinham deixado de vir brincar, onde o vento fustigava a seu bel-prazer.

O dia começara cinzento, um daqueles dias abafados  de Primavera, com algumas gotas de chuva a tamborilar no telhado e os ramos da árvore maior do parque quase a tocar a janela do seu quarto com o vento. Era o dia do funeral. Eliana seguiu no carro funerário com os pais de Bruno. Sentia o corpo entorpecido e pesado como se não lhe pertencesse. O ar da rua parecia quente, abrasador e no entanto chovia e o seu corpo tremia de frio.
Tudo se resumia a escuridão, a sons a cheiros a imagens pálidas de uma realidade imperceptível…"


In: Sopro de Luz

22 de junho de 2012

O medo

Carros em sentido contrário
Com luzes capazes de cegar
Prémios milionários
Que todos querem ganhar
Novelas, filmes de acção
Herói, vítima é só escolher
Vidas de robot
Que temos de viver
As sarjetas entupidas
O esgoto da alma a vazar
Chuva ausente
E a terra do corpo a secar
A impotência para agir
Obediência à sociedade
Vida fraca
A crua realidade

A ausência de força
Que me leva a reagir
O medo da verdade
Que posso ter de ouvir
O choque real
Que posso levar
Não é sonho, é a verdade
Não vale a pena lutar

Perco a batalha e a guerra
Não luto mais por quem eu sou
A vida é e será esta
Nem esperança me resta
Entrego-me.
Por inteiro me dou.

21 de junho de 2012

Alma

Ainda sinto o chão que piso
Embora o corpo,
Já o deixasse de sentir
Eu não sou eu
Em mim não me encontro
Vejo o mundo em mim
A ruir.

A minha pele molhada
Não tem frio, já gelou
Não sinto o corpo
Eu não sou eu
Em mim não me encontro
Perdi os sentidos
O vazio me encontrou

O meu mundo desabou
E com ele
Parte de mim
A alma que o habitou
Saiu de casa, me deixou
Morreu
Por fim.

20 de junho de 2012

Custa

E como por mais que tente, hoje parece que há coisas que se colaram ao meu ser e nao me deixam descansar...  


Custa...
Confesso que custa.
Mas a força que emprego é o k m dá alento.
Mesmo quando dói, quando me lamento.
Sei k é assim a realidade.
Que foge das minhas mãos o controle da actualidade.
Que por entre os dedos me escapa.
A fome, a sede que me mata.
Mas tenho de ser assim.
Guerreira de luta constante.
Um dia serei triunfante.
Mas até la...
Custa...
Confesso que custa.
Mas o fogo que me corrói.
O silêncio que de tao alto dói
Mesmo quando me toca,
A pele que me queima
Sei que custa.
Mas não retribuo.
Afasto do espaço, o sonho que construo.
Guerreira de luta, de vida.
Apago em mim a vontade contida.
Mas mesmo assim…
Custa…
Confesso que custa.
Mas a dor que se dissipa.
O vazio que dentro de mim, já não grita.
Mesmo quando dói, eu me calo.
Sei que custa.
Mas não falo.
Por entre olhares que não controlo.
Mesmo distante, eu sei que olho.
Mas tem de ser assim.
Guerreira de luta, de mágoa.
Controlo o surgir de uma lagrima.
Mas mesmo assim...
Custa...

15 de junho de 2012

Friday's Song





             http://youtu.be/tkxFA7nzLFg                     
              
            http://youtu.be/WfzRlcnq_c0



A partir de hoje, todas as sextas-feiras,  irei apresentar uma banda e/ou artista que aprecio. Começo pelos:   "The Civil Wars" . Um grupo composto pelos cantores e compositores Joy Williams  e  John Paul White. Os dois conheceram-se num concurso de composiçao musical em Nashville, Tennessee em 2008. A harmonizaçao perfeita das duas vozes com a suavidade da viola e/ou do piano, sem subterfugios de efeitos a camuflar e denegrir o real valor da musica, fazem desta banda, para mim, uma amostra do que se deve esperar de um artista. Vale a pena ouvir.          




                     

Manchas

Manchas multicolores
Toldam-me a visão
Lágrimas contidas
Controlam-me a razão
Força hercúlea
Que começa a falhar
Esperança do sonho
A razão a roubar
Pedaço de trevas
Escuridão de breu
Já nem as estrelas
Brilham no céu
E as manchas que luzem
Em frente do meu olhar
Pedaços de mim
Do meu corpo a falhar
Perdi a noção
Do que devo fazer
Desliguem as máquinas
Deixem-me morrer

by: Bia

Recuso

Recuso-me a ser
Apenas uma ideia
De sonhos construída e desfeita.
Recuso ser
Apenas mais uma mancha de tinta preta
Um projecto em linhas escrito.
Recuso a fotocopiadora
Que me tentam impor
Não serei jamais
Um borrão sem cor
Ser cópia assumida
Do reflexo da sociedade
Presa a uma serigrafia
Que embeleza a cidade
Recuso-me.
Não permito que me julguem
Pela capa que apresento
Sem abrirem as páginas
E me lerem por dentro
Julgando apenas
O que julgam ser real
Sem avaliarem
A minha alma imortal
Recuso-me.
Tentaram imprimir
A ideia que tinham
Decidido como verdade
Sem contemplações,
Filosóficas reflexões
Por simples vaidade.
Arrumada em caixas me mantinham
Mas eu gritei
Recuso-me, não serei
Apenas mais um artigo
Folhas de um jornal antigo
História que já toda a gente leu.
Cada um decidiu
Criou opinião, que assumiu
Como verdade sobre quem sou
Mas de todos os que leram
Apenas a sombra ficou.
Marcadas na lombada
Do livro que me afirmo
As mãos manchadas de tinta
Do destino.
Debato-me com os tinteiros
De cores indefinidas
Contra quem de mim pensa que sabe
Mas esconde as suas vidas
Recuso-me.
Não deixo que martelem
As teclas que me definem
Que façam copy paste
Que depois me recriminem.
Recuso a folha em branco, que me estendem
Na tentativa de eu a preencher
Depositar nela o que sou
Ser usada como referencia
Nos discursos que alguém citou
Recuso-me.
Não mais darei desculpas
Quando em mim não residem as culpas
Não serei mais um texto apagado
Recuso-me a ser
Um livro acabado.

Nunca Me Morras

Não vás…
O tempo é vão
Sem a tua presença.
O sol não brilha
A lua não dorme
Os sonhos não vêm.
Nunca me Morras
Que a vida só se vive
Para te poder ver viver
O mundo pára e não mais gira
O vento não passa
Não se respira
Não dá para se existir
Nunca me Morras
Que contigo sinto-me linda
Pois sei que o sou.
Porque não passo do reflexo
De mim mesma no teu olhar.
Na forma como me vês.
Nas palavras e no soprar da vida
Nunca me Morras
Que morro contigo
Pois existir é viver
E a minha vida és tu.
E viver, nada mais seria que um castigo
O triste e só vazio
A dor…
Não vás…
Nunca, não vás!
A vida corre de mãos dadas
Com o sonhar
Mas não sonho se não te tenho
A vida és tu.
O riso, o vento
A tempestade, a luz
No mar de gente que atravesso
Já nada me seduz
Nada são, que sombras de ti
Sem ti nem sombra sou.
Nunca me Morras
Que a morte liberta
E os seus braços aperta
Á volta do meu coração
E se morreres
Eu vou…!



 Anjo

12 de junho de 2012

Pintar em Palavras 1

" Era apenas uma no meio de tantos.
Para quem passasse não seria nada mais que outra pessoa. Um número no meio de tantos outros.
Sem rosto, sem vida.
Transparente talvez aos olhos dos que passavam. Mas se alguém prestasse atenção veria nos seus olhos uma tristeza que trespassava qualquer tentativa de indiferença.
 Enquanto para todos o dia apenas começara, para ela parecia estar a aproximar-se do fim.
Parecia o fim de tudo...
Parada no passeio, sentindo de quando a quando o roçar dos corpos dos que passavam, apressados para o trabalho. Dos olhos escorriam lágrimas, as lágrimas que já não conseguia conter.
Tinha começado a chover. A chuva confundia-se com as lágrimas e dava-lhe uma sensação de estar viva. Uma sensação já quase desconhecida para ela.
Apetecia-lhe voltar para casa. Voltar para o que lhe transmitiria alguma segurança. Mas faltava-lhe a coragem. A coragem para se enfrentar a si própria.
Tinha lido há pouco um livro que dizia: “para nos encontrarmos primeiro temos d nos perder.” E ela que já há tanto se sentia perdida...
A chuva começava a enregela-la. Passo a passo foi avançando, agora por entre o aglomerado de chapéus-de-chuva dos mais atrasados.
Entrou num café. Sem escolher nem ver o nome ou a aparência. Entrou simplesmente para se abrigar e beber um café.
A empregada atendeu o pedido. Ao voltar com o café reparou no seu olhar. Vazio e distante...
-Sente-se bem?
A pergunta parecia vinda do fundo d uma gruta.
Como desperta de um transe ela olhou a empregada nos olhos.
-Desculpe?...
-Era só para saber se se sente bem? Parece tão pálida!
No reflexo da janela, repara. Realmente parece pálida. Nem se reconhece.
-Sim, está tudo bem.
Bebe o café, prepara-se para pagar e para ir embora.
-Já está pago!
-Como está pago?! Quem pagou?
Olha a toda a volta mas não encontra ninguém conhecido.
 -Foi um rapaz na mesa do canto, mas já saiu. Deixou isto para si. Espero que seja algo que a anime!
A empregada deixou no balcão um cartão pequeno que ñ passava d um pedaço da capa de um caderno preto. Escrito nele a lápis: “ Gostaria de pintar o seu retrato em palavras. Amanhã á mesma hora? “   "

In: Pintar em Palavras

Sopro de Luz 1

"-Lana dói muito..? Perder assim alguém?
-Sim Dani. Dói muito. Pega nesse vazio que te lembras de sentir quando o pai morreu, multiplica por cem. Agora enche esse vazio com cimento. Esse peso que sentes é a dor que senti. Imagina agora o medo de esqueceres a voz do pai. Multiplica por dez. Vira apenas silencio, um não ouvir de qualquer voz, como se todo o mundo se calasse ao mesmo tempo. Como se ficasses surda. Foi assim que vivi durante dias, no escuro e no silêncio. Mas a dor vai ficando mais fraca, cada dia dói um bocadinho menos, cada noite se tem menos pesadelos. Fica sempre um vazio, uma ansia de vomito que aperta o peito e nos traz lágrimas aos olhos, mas não é dor, é algo mais forte e mais complexo do que dor, do que saudade, do que faltar uma parte. Não da para explicar por palavras algo que é sentido por cada célula do nosso corpo, a dormência que se apodera de nós mesmo quando tentamos contrariar."

In: Sopro de Luz

11 de junho de 2012

Retalhos

Pedaço de papel
Com ausência de sentido
Frases soltas, dentro de mim
Linhas vazias,
Poema não escrito
Procura do inicio
Perdido o seu fim

Páginas rasgadas
De um livro esquecido
Palavras que ninguém viu.
Canção sem música,
Batida sem ritmo,
Paragem no tempo
O futuro ruiu

Lombada comida
Do tempo que passa
Sem titulo, a tinta gravado
Ou autor conhecido,
Ausência de  brilho,
Sem marca
Num canto guardado

Pedaço de papel
Pelo tempo amarelecido
A quem já ninguém lê
Manta de retalhos
De palavras, de sentidos
Imagem pintada
Que ninguém vê

E tudo começa AGORA

A pedido de várias familias, dou hoje inicio a este Blogg.
Ainda a tentar perceber o funcionamento de tao popular actividade. Pelos erros, perdoem-me. Hei-de aprender.